«Alguma coisa do que sou e fui foi em viagem.» Zeca Afonso

Agosto 02, 2004

A selecção do futuro Secretário Geral do Partido Socialista vai prosseguir dentro das dicotomias seguintes:
a) a do tipo de política dos candidatos, ou seja, uma política de ideais ou uma política de conveniências;
b) a dos objectivos das candidaturas ou seja, a de chefe político do Partido, ou a de putativo 1º ministro da Nação.

A) O Tipo da política

A questãoUma política prosseguida sem ideais é uma carreira, um carreirismo.Como todas as políticas, em democracia, se justificam pelo serviço à sociedade, a condução de uma política sem ideais é não só uma imoralidade cívica, como uma mentira pública.

Desde que há uns anos, desde que o ideal do Estado Social (da economia posta ao serviço da cooperação e da solidariedade) começou a decrescer de importância e a ser substituído pelo individualismo promovido pelo neo-liberalismo (da competitividade pelo poder, fama e dinheiro, sintomas do sucesso individual), os partidos, pelo menos em Portugal, deixaram te ser movidos por ideologias, deixaram de ter metas e objectivos sociais, para passarem a ser esquemas de ascensão pessoal dos seus militantes ou simpatizantes, dentro ou à custa das cortes em que se transformaram os aparelhos e a nomenclatura partidária.

Nos chamados partidos de Poder (Bloco Central), tal sistema instalou-se e hoje é difícil de distinguir, quer nos seus princípios ideológicos, quer na sua praxis, qualquer diferença que não seja decorrente, exclusivamente, da personalidade dos respectivos chefes. É isto, políticamente, o Centro, ideologicamente cinzento, pragmático no curto prazo, demagógico, manobrador, conciliador na partilha do poder e suas prebendas. Constitui o chamado Bloco Central de Interesses. O nome diz tudo.O poder para ter e partilhar com os amigos.

À conta da passividade ou ignorância dos cidadãos Para os lideres dos partidos com essas características, deixou de haver ideais e a causa por que lutam confunde-se com os seus próprios interesses e ambições.

Ainda há, contudo, muita gente que apenas lhe interessa a política no primeiro sentido, isto é, como um dever e não como um haver, para sentir que estão a colaborar no seu país e no seu tempo, para uma sociedade melhor, na medida em que se aproxima mais do seu ideal social, da sociedade onde haja igualdade de oportunidades, onde haja liberdade de pensamento e de atitudes, onde haja solidariedade entre as pessoas, trabalhando em cooperação, onde os níveis de vida permitam a todos o tempo e as condições para um seu contínuo desenvolvimento espiritual, onde a Justiça seja célere e incorrupta, onde a verdade seja sistematicamente usada na informação pública e onde o Estado, a todos os seus níveis, esteja motivado e adequado à prestação do serviço público que lhe compete.

Uma política de ideais em vez da política de conveniências que presentemente existe.

Aí a Politica é revertida para a Sociedade, sendo a sociedade um fim e não um meio. Uma prática de generosidade, em vez do calculismo egocentrista de uma política de interesses, como a que se vem instalando.Há ainda gente política a pensar assim. Espero que muita.

A actual maioria parlamentar no poder pratica, de forma evidente, a segunda forma de política, a do jogo dos interesses. Basta ver a nomeação do Governo e perceber que os critérios que presidiram à nomeação das pessoas não foram de competência ou adequação para um serviço público nas respectivas áreas, mas de conveniências de poder, de jogos internos e cedências aos principais grupos económicos. Os idealistas, os engajados na ?causa? da social-democracia ou da democracia-cristã, foram completamente afastados, dando lugar aos populistas, gestores de interesses em torno de si próprios, e em que a os seus eventuais bons desempenhos têm por intuito não tanto o serviço à Nação, mas o reforço da sua imagem e poder. Restaram dois ou três, para disfarçar.

Os políticos não populistas ou oportunistas da Coligação que agora é maioria, estão, praticamente, agora aniquilados, na acção política.

Limitam-se a umas crónicas mais ou menos críticas nos media e a remoerem vinganças, que terão de comer muito frias, a se manter este estado de coisas.O PC e o BE funcionam, ainda, por causas e ideais, mais ou menos, mas não têm suficiente apoio de votos para a sua acção ser significativa, para além de constituírem uma espécie de grilo falante do Sistema.

Mas nem o Pinochio, nem o Zé Povo, distraído com futebois, telenovelas e intrigalhadas semelhantes, deu alguma vez ouvidos aos grilos. Depois, queixam-se, mas a vida é assim mesmo.

Com o PSD e o CDS fora de questão, vendidos aos interesses imediatos das suas chefias, o PCP e o BE sem impacte real, para alterar este estado de coisas será necessário um PS forte e diferente na sua política, um PS que combata o Bloco Central de interesses vigente e que dele se demarque.

No PS, Ferro Rodrigues prometeu mudança no Pântano interno que Guterres havia deixado (AG dixit), entendendo-se como tal um partido sem ideais sociais, organizado numa espécie de corte com os seus duques, barões e respectivas clientelas.

Ferro durante dois anos prometeu mudar, mas nada fez.Quando saiu, manteve-se pessoalmente respeitado por todos, mas ninguém lamentou a sua saída.Uns porque não concordavam com a sua política (ou ausência dela).

Outros porque pensaram que seria a oportunidade de, afectando-se a outro dos putativos príncipes que já preparavam há muito a tomada do poder, daí tirar benesses para além das eventualmente já existentes.

Começa agora o PS uma fase em que se irá definir o tipo da sua política futura: se se vai assemelhar ao populismo do Centro-Direita, assumindo um populismo de Centro-esquerda, em torno da figura do seu líder, admissivelmente Sócrates; ou se vai retornar, de alguma forma, às suas origens de partido de causas e de ideais, reformista por natureza, aberto e progressivo, admissivelmente com Alegre como Secretário Geral.

Os protagonistas:
Soares não tem hipótese. Nunca foi popular nas bases do PS e agora trata-se de uma eleição apenas pelos militantes socialistas. Sempre foi apoiado internamente apenas por um pequeno grupo de amigos e por um grupo um pouco maior de amigos da Família. Só ele pensa o contrário.A luta far-se-á entre Alegre e Sócrates, sem dúvida.

A avidez com que tantos se aproximaram de Sócrates, tido então como garantido vencedor contra Soares, marcou a sua candidatura como a do satus quo, a do chamado Aparelho, a da continuidade do Pântano.Sócrates também nunca esteve muito próximo das secções. Espera que o Aparelho e os barões regionais lhe possam garantir os votos das bases, pelo menos das arregimentadas nos respectivos sindicatos de votos (apesar do sistema de eleição secreta e universal dificultar o esquema). Em troca terá de lhes deixar o poder local e distrital sem fazer perguntas e não apoiar as oposições internas locais, quando e se protestarem.

Se a proposta de Sócrates for apenas a conquista e manutenção do poder, será um casamento duradouro, como todos os de conveniência.

Mas se Sócrates tiver também outros intuitos, por exemplo de reforma da sociedade, não lhe interessarão todos esses apoios (alguns há interessantes e sérios), que se revelam compromissos impossíveis de manter face às roturas e às purificações que será necessário fazer no Partido e na Sociedade.

Para mudar alguma coisa.Por exemplo a corrupção larvar que grassa em todo o País.Mas Sócrates aceitou e regozijou-se com estes apoios. Talvez mesmo os tenha procurado e preparado. Não se lhe conhecem ideais políticos no passado.

Não se arranjam, agora, de uma penada, nem se compram.Tudo aponta, pois, que tenha optado pela continuação do status quo, do Pântano vigente, mesmo que naturalmente afirme outra coisa.Tratar-se-á então apenas de jogo de poder. E é pena, porque Sócrates terá sido um bom ministro, um dos poucos que defendeu, na altura, as suas ideias e convicções, sectoriais é certo, mas "atravessou-se" e não se rendeu à comodidade de cedências fáceis.

Alegre é o contrário. Nunca quis o poder pelo poder, se bem que lhe não tivessem faltado oportunidades. Sempre se meteu na política à conta de ideias e de ideais e agora, segundo diz e é de acreditar, também é a consciência da desmoralização e imoralidade reinante na vida política que o leva a candidatar-se à liderança do único partido que poderá inflectir estes estado de coisas.

Isto não agrada aos barões do Aparelho e aos seus clientes mais directos.

Joga-se nesta pugna mais do que a liderança do PS. Face ao atrás referido é a própria essência da Democracia que está em jogo.No fim, em Setembro, retomar-se-á uma política de ideais, ou continuar-se-á na política de conveniências, de interesses, no jogo das influências, na corrupção, no pântano?
Quantos são, no PS, os militantes que estão na Política por carreira ou interesse pessoal e quantos por causa social?

b)O Partido ou o Governo?

..Segue no próximo post..

Agosto 01, 2004



A aposta Kerry

John kerry tem ainda que responder a várias interrogações. Promete que a ser Presidente aumentará o número de tropas e a cobertura do sistema sanitário, ao mesmo tempo que baixará os impostos às classes médias e equilibrará o orçamento.


É evidente que enquadrar os números destas promessas eleitorais será complicado, mas o último candidato que disse, durante uma campanha, que subiria os impostos foi o derrotado Barry Goldwater em 1964.

Os discursos da Convenção não são para enfrentar os temas difíceis; são um passo obrigatório para dar a conhecer a alternativa e dar ânimo e esperança aos eleitores. Neste sentido Kerry conseguiu o seu objectivo.

O Partido Democrata, muitas vezes dividido, mostrou-se mais unido do que nunca, galvanizado pela ideia de que qualquer coisa é melhor do que mais quatro anos com Bush, mas convencido já de que Kerry é o seu homem.

A campanha dos democratas tem combustível, ao menos até que Bush receba o seu próprio banho de multidão em Nova Iorque, na última semana de Agosto...


...um homem de grande coragem...

Intervenção na Apresentação da Candidatura


Cada um tem as suas referências. Quero evocar neste momento algumas pessoas que já partiram mas que de certo modo estão aqui comigo: Sophia e Torga, pela poesia; Piteira Santos, pelo exílio e pela resistência, Tito Morais, pelo PS; Salgueiro Maia e Melo Antunes, pelo 25 de Abril. Uma saudação de profundo respeito e amizade a Fernando Valle, que é a minha principal referência cívica. Cumprimento as candidaturas de João Soares e José Sócrates, convicto de que, para além das divergências que vamos debater, o nosso objectivo comum é derrotar o governo da direita.

Candidato-me por Portugal, país pioneiro do espírito europeu, que deve estar na vanguarda da construção da Europa, fiel ao legado que lhe foi deixado pela História: o de ter sido uma nação-piloto, ponte entre o velho mundo e o novo e que, por isso mesmo, entre os países de semelhante dimensão geográfica, pode ser hoje um actor global.

Candidato-me pela democracia, cuja qualidade foi degradada pela coligação chefiada por Durão Barroso e corre o risco de sê-lo ainda mais com o novo governo populista de direita. Portugal caiu três lugares no índice de desenvolvimento humano das Nações Unidas. Estes são os números que contam. Traduzem uma regressão na saúde, na educação, na criação de riqueza e, sobretudo, na sua distribuição. Portugal é hoje um país mais injusto, onde as lojas de luxo florescem, mas em que a maioria dos portugueses vive cada vez com mais dificuldades.Candidato-me por um novo idealismo democrático, baseado na síntese entre a liberdade e a justiça social, garantindo a autonomia individual mas reservando ao Estado um papel de arbitragem na procura da solidariedade e dos valores da igualdade.

Candidato-me por uma política de paz e de independência nacional, no quadro da nossa integração europeia e dos nossos princípios constitucionais. O 25 de Abril reconciliou Portugal com o mundo. Portugal não tem força económica nem militar. Mas tem força histórica, moral e cultural. Foi esse o capital que Durão Barroso desbaratou quando, subvertendo o consenso sobre a política externa portuguesa, optou por uma posição de colagem seguidista na guerra do Iraque decidida unilateralmente pela Administração Bush.

Comigo como Secretário Geral o Partido Socialista bater-se-á para que Portugal tenha um papel na Europa e no mundo de acordo com a sua História e a sua potência linguística e não apenas limitado ao seu peso demográfico.

Candidato-me pela igual liberdade de homens e mulheres. Porque não considero “natural” que as diferenças biológicas de sexo determinem obrigatoriamente desigualdades entre homens e mulheres. Como se tivéssemos a obrigação de continuar a desempenhar papeis sociais fixos e diferenciados porque nascemos homens ou porque nascemos mulheres. Candidato-me para defender a igualdade de homens e mulheres como uma prioridade da organização social inerente ao socialismo democrático. Uma prioridade no discurso político. Uma prioridade na prática interna. Uma prioridade do PS e no PS, uma prioridade no programa e acção do futuro governo socialista.

Portugal foi durante séculos um cais de embarque, mas hoje é também um porto de abrigo, onde se misturam povos e culturas. Passou a ser um país de imigração e não apenas de emigração. Candidato-me para valorizar a nossa diversidade étnica, cultural, nacional e espiritual, transformando-a numa oportunidade de desenvolvimento. Candidato-me em defesa de uma sociedade cosmopolita, que saiba conjugar diversidade e cidadania, o mútuo reconhecimento da dignidade individual com a cooperação e a solidariedade, prevenindo a segmentação social e a discriminação racial.

Comigo como Secretário Geral, o PS será um protagonista activo da criação de uma sociedade inclusiva e cosmopolita. Para isso, precisa de ter mais jovens, mais mulheres, mais imigrantes e emigrantes, não só como militantes, mas também participando equitativamente em todos os níveis de responsabilidade.

Candidato-me pelo socialismo, cuja palavra não tenho medo nem vergonha de dizer e cujo conceito moderno não confundo nem com as fracassadas experiências totalitárias do comunismo soviético e seus derivados, nem com a incapacidade revelada pelas recentes experiências de governos socialistas na Europa para inverterem a lógica neo-liberal dominante e criarem soluções políticas alternativas. Candidato-me pelo Partido Socialista, por extenso, com o objectivo de contribuir para a dignificação do Congresso, para a abertura do partido por dentro e para fora e para um debate de ideias que torne claro qual o projecto do PS para a sociedade portuguesa. Candidato-me para retomar o espírito dos Estados Gerais, não apenas como um ritual que se esgota em si mesmo, mas como um processo permanente de relacionamento do partido com a sociedade.Candidato-me para que a democracia não se resuma ao funcionamento da alternância e para que seja possível construir uma verdadeira alternativa de esquerda à coligação de direita. Para que quem vota socialista saiba que vota pela mudança e por um governo diferente dos governos de direita, não apenas no estilo, mas no conteúdo das suas políticas.

Não há maior frustração do que votar pela mudança e constatar que tudo, afinal, fica mais ou menos na mesma. É isso o que leva ao desinteresse pela política.Candidato-me contra a falta de perspectiva e de esperança, procurando contribuir, com o meu modesto esforço, para a recuperação da confiança dos cidadãos no poder do seu voto.

Candidato-me pela modernização do projecto socialista, pela modernização da democracia, pela modernização do PS e pela modernização do país. Há aliás um grande equívoco à volta da ideia de modernidade, que é essencialmente um tema do século XVIII. O que importa é sermos contemporâneos do nosso tempo, porque só assim seremos fundadores do futuro.

O sistema capitalista está num processo de mutação. Mudou a relação com o tempo e o lugar, mudou a própria percepção da realidade. Onde outrora havia concentração, hoje há deslocalização, fragmentação, desestruturação da própria sociedade.

A globalização tomou a forma de uma ditadura dos mercados financeiros, acelerou a deslocalização do capital, destruiu culturas, regiões, empregos e está a transformar-se numa colossal ofensiva contra as conquistas sociais e contra o próprio Estado Nação. Mais do que ao triunfo do mercado conduziu ao fundamentalismo do mercado.

O que impõe a necessidade de um novo paradigma de contrato social, não só em cada Estado, mas também entre Estados. A globalização acentuou a necessidade de uma acção colectiva global, bem como a importância dos bens públicos globais. Regular a globalização passa não só pela mudança de estruturas institucionais, mas também por mudanças de mentalidade, tendo em vista um outro desenvolvimento à escala nacional e planetária.

O capitalismo mudou.

O socialismo também tem de mudar. Em que sentido? Essa é a grande questão. Eu penso que não é no sentido da sua diluição nem da capitulação perante o neoliberalismo dominante, mas no sentido da conjugação do rigor económico e financeiro com a consolidação dos serviços públicos e das políticas sociais, que constituem a essência do socialismo democrático.

A modernidade não está na chamada terceira via. A terceira via é já passado. A modernidade passa por um novo contrato social. Por instrumentos eficazes de regulação da economia de mercado. Mas também por um Estado estratega, cuja função não se reduz ao papel de árbitro, mas de regulador dos mercados e promotor dos serviços de interesse geral. Defendemos um modelo geral de desenvolvimento económico e social sustentável, que potencie as opções nacionais em matéria de valorização do território e defesa do ambiente, integração internacional e padrão de especialização produtiva, valorização das pessoas e coesão social.

Ao Estado estratega caberá suprir as falhas do mercado e estimular áreas ou sectores qualificantes. Para desempenhar essa função, o Estado precisa de manter nas suas mãos instrumentos eficazes, como, por exemplo, a Caixa Geral de Depósitos. Mas precisa também de mudar o que faz mudar. E o que é que faz mudar? É a cultura, a educação, a qualificação das pessoas, a capacidade de valorizar e potenciar os nossos recursos territoriais, patrimoniais, ambientais, culturais, científicos e tecnológicos.Nesta visão do papel do Estado e do modelo de desenvolvimento para Portugal, os serviços públicos têm um papel fundamental.

Não aceitamos o ataque sistemático ao papel e presença do Estado, nem a perversão da ética republicana de austeridade e serviço público.Não aceitamos que o Serviço Nacional de Saúde, património valioso do PS, seja progressivamente desmantelado, numa lógica implacável em nome da priorização dos resultados financeiros com detrimento dos resultados de saúde. As consequências desta política estão à vista: a despesa aumentou e a relação dos portugueses com o sistema de saúde piorou.

Sabemos que o Serviço Nacional de Saúde nunca foi, desde a sua criação, o único prestador de cuidados. Mas compete-lhe um papel estratégico enquanto garante de que ele próprio, mais o sector social e o sector privado, contratualizam e garantem a universalidade, a continuidade, a igualdade, a acessibilidade, a qualidade e a segurança das prestações, actuando no sentido de que a saúde dos portugueses melhore progressivamente por forma a atingir os níveis dos países mais avançados do mundo.

Não aceitamos a transformação da segurança social numa segurança social pública de segunda para pobres e noutra privada, de luxo, para ricos.Não aceitamos o desinvestimento na educação e na inovação, nem a falta de respeito pelos direitos das pessoas em favor das prerrogativas dos poderes fácticos.Não aceitamos o desequilíbrio sistemático das leis laborais em desfavor dos trabalhadores, nem a perpetuação de qualquer tipo de desigualdades baseadas no sexo, na condição social ou etária ou na origem regional.Não aceitamos a multiplicação de poderes burocráticos contra os poderes democráticos, nem a falta de transparência, a promiscuidade e o negocismo que contaminam as estruturas do Estado.

Por onde passa então a modernização?- pela afirmação da autonomia de Portugal e do Estado no contexto mundial e europeu, sem subserviências nem complexos;- pela renovação do modelo social europeu, alargado aos temas da segurança urbana, do direito à convivência multicultural e do acesso à protecção dos mais fracos em todas as circunstâncias;- pela afirmação do papel do Estado enquanto regulador da economia e promotor activo das políticas públicas;- pela independência do poder político e do poder mediático em relação aos poderes económicos;- pela cidadania social e pela defesa dos direitos sociais como inseparáveis dos direitos políticos, nomeadamente em matéria de saúde, segurança social e educação;- pela reposição do equilíbrio e justiça, na legislação laboral;- pela construção de propostas de desenvolvimento sustentável para Portugal que apostem nos nossos recursos naturais, ambientais, patrimoniais e humanos - pela defesa e prática de uma cidadania activa, capaz de se afirmar no espaço dos partidos e fora delesO crescimento da economia é uma condição necessária do desenvolvimento e do bem-estar.

Não se consegue distribuir riqueza se não se criar riqueza. As políticas de esquerda, com a sua característica ênfase na justiça social, devem ser também, por isso, políticas de crescimento económico e de produção de riqueza. Mas não vemos o crescimento da economia separado do crescimento do emprego. Nem a produção económica separada da coesão social. A abordagem que nos distingue é aquela que baseia o crescimento e a competitividade na qualificação das pessoas e das organizações, na incorporação de informação e conhecimento, na inovação tecnológica, na promoção do emprego e nos direitos sociais. É aí que está a nossa diferença, sem recuo, face ao neo-liberalismo: não aceitamos colocar os direitos sociais e o bem-estar entre parênteses, ou como uma variável secundária do crescimento.

Fala-se muito em renovação. Mas a renovação não é uma questão de nomes nem de gerações, a renovação é uma questão de método, de valores, a renovação é intergeracional, paritária, faz-se com homens e mulheres, com jovens e idosos e, sobretudo, com ideias, com causas, com projectos.

A tentação centrista é um arcaísmo e um mito que leva à diluição e descaracterização do socialismo democrático e à degenerescência da democracia num neo-rotativismo entre dois partidos cada vez mais parecidos e dependentes do bloco central dos interesses. A renovação da democracia e a modernização do país exigem alternativas claras. O centro vai sempre atrás das dinâmicas de vitória. E um partido socialista só cria uma dinâmica de vitória quando é capaz de unir e mobilizar os seus. E os seus são os trabalhadores, os jovens, os reformados, os desfavorecidos, as classes médias cada vez mais empobrecidas, são todos os portugueses e portuguesas que sofrem a crise económica e social provocada pelas políticas de direita.O PS não deve fazer coligações pré-eleitorais. Deve apresentar-se às eleições sozinho, com as suas cores e o seu programa. E deve lutar por uma maioria absoluta. Contudo, se conseguir uma maioria relativa, deve assumir a responsabilidade de criar condições estáveis de governabilidade. E deve fazê-lo negociando com as outras forças parlamentares de esquerda. A estabilidade não é um privilégio da direita, a estabilidade também pode construir-se à esquerda. Finalmente, o Partido Socialista:Queremos um partido aberto aos sinais e exigências do tempo, empenhado na construção de uma modernidade que incorpore os avanços da ciência e das tecnologias ao serviço das pessoas; não queremos um partido subordinado ao pseudo modernismo das modas bem pensantes, em particular daquelas que se submetem à frivolidade dos gostos frequentemente impostos por campanhas condicionadoras da opinião.

Queremos um partido genuinamente democrático e plural nas suas possibilidades de participação; não queremos um partido onde em nome de falsos consensos se instale o vazio das ideias.Queremos um partido mobilizador de consciências e vontades de mulheres e homens respeitados na sua dignidade e autonomia; não queremos um partido subordinado ao jogo táctico das facilidades e conveniências do momento.

Queremos um partido enformado pela ética republicana de serviço público; não queremos um partido promotor de processos de fidelização, favoritismo e clientelismo.

Queremos um partido não de um rosto mas com rostos; não queremos um partido dependente do poder ou de poderes personalizados.

A alternativa que se coloca aos militantes não é entre “políticas e políticos moderados” e hipotéticos “políticos ou políticas radicais”, como se de um lado estivessem as virtudes do compromisso e do outro os males do confronto.A alternativa é entre uma cultura de partido inspirada por valores e princípios, mesmo quando as decisões possam implicar roturas com o situacionismo vigente, e o pragmatismo que tenta gerir o sistema sem nunca afectar os centros de interesses nele instalados. É também por aqui, dentro do PS, que passa a modernização e a escolha entre vida nova e vida velha.Esta não é uma candidatura de um só rosto, mas de uma equipa. Tenho muita honra em ter à minha volta muitas das principais figuras e referências do PS, com papel destacado na vida parlamentar, na vida democrática e na própria acção governativa. Mas honram-me também sobremaneira as manifestações de apoio que tenho recebido de muitos militantes, especialmente jovens, de todos os pontos do país. Alguns oferecem voluntariamente o seu tempo de férias para trabalhar na candidatura. Por convicção e por entusiasmo, sem nada querer em troca senão vida nova para o PS e para o país.

Este estado de espírito justifica por si só a apresentação da minha candidatura. Algo de novo começou a acontecer. Algo que já é diferente pelo simples facto de estarmos aqui sem aparelhos por detrás, sem interesses, sem lobies, sem nada mais do que a nossa convicção e a nossa militância.

A nossa candidatura surge numa situação de emergência. Não estava prevista nem preparada. Parte em situação de grande desvantagem em relação a uma candidatura que já há muito estava a ser organizada e conta com o apoio público de quase todas as estruturas do partido, num processo que todos devemos repensar, para evitar que a imagem pública do PS se confunda com outras pouco lisonjeiras.

Mas o simples anúncio desta candidatura despertou sinais de entusiasmo e esperança. Esta candidatura é também um teste para avaliar até que ponto há correspondência entre a opinião pública e a vida interna do PS. O que queremos dizer neste momento, sem alimentar falsas expectativas, é que há mais vida para além das estruturas dirigentes. Há milhares de militantes que nunca votaram dentro do PS. Ninguém é dono das suas consciências nem do seu voto. Os socialistas são homens e mulheres livres. E o PS, como se dizia nos grandes momentos, é o partido da liberdade, o partido sem medo. Dirijo-me a todos os militantes, para que participem, para que se interroguem e nos interroguem, para que decidam livre e conscientemente.

Repito: Ninguém é dono de ninguém.

Nenhuma estrutura se pode substituir à consciência individual de cada militante.Se nos dias 25 e 26 de Setembro os militantes acorrerem em massa às urnas nas suas secções, então sim, no momento do voto secreto, o partido estará verdadeiramente nas mãos dos militantes.Se for possível ouvir o que pensam os cidadãos comuns, se for possível falar mais aos militantes do que às estruturas, então, sim, há esperança.

Se for possível discutir abertamente, sem complexos e sem hipocrisia, se for possível levar a todo o país e a todo o partido este debate, então, sim, há esperança.Não vim para dividir, mas sim para clarificar e mobilizar. Mobilizar o PS, mobilizar os que querem participar e não sabem como, mobilizar os que estão descrentes, mobilizar todos aqueles e aquelas que são socialistas e sentem a urgência de construir o futuro.

Julho 28, 2004

BOSTON DEMOCRATS FEEDBACK ..
 
Ontem, terça feira foi um dia em grande para as hostes democratas. Bons discursos, personagens intigrantes, estrelas em ascenção, tudo movido de um poderoso mote: derrubar George W. Bush e glorificar Jonh Kerry.
 
Depois de Bill e Hilary Clinton, Al Gore e Jimmy Carter que foram alvos dos flashs na Segunda-Feira, seguiu-se Ron Reagan Jr (filho do presidente republicano Ronald Reagan), Ted Kennedy, Howard Dean, Teresa Heinz Kerry, e a coqueluxe democrata Barack Obama.
 


Ron Reagan é o filho mais novo do falecido ex-presidente dos Estados Unidos Ronald Reagan. Ao contrário do Pai, não é membro do partido Republicano e considera-se um liberal que afirmou publicamente que não apoia a reeleição de George W. Bush para a Casa Branca.

«In a few months, we will face a choice. Yes, between two candidates and two parties, but more than that. We have a chance to take a giant stride forward for the good of all humanity. We can choose between the future and the past, between reason and ignorance, between true compassion and mere ideology. This is our moment, and we must not falter.»




Barack Obama é considerado por muitos o político do ano nos Estados Unidos. É igualmente a estrela em ascensão do Partido Democrata. Este advogado de 41 anos, é senador do estado de Illynois e é candidato ao US Senate. Estudou em Columbia University e em Harvard Law School. Activista dos direitos civis.  É apontado como o mais brilhante da sua geração..ver vamos.

«We have real enemies in the world. These enemies must be found. They must be pursued and they must be defeated. John Kerry knows this. And just as Lieutenant Kerry did not hesitate to risk his life to protect the men who served with him in Vietnam, President Kerry will not hesitate one moment to use our military might to keep America safe and secure. John Kerry believes in America. And he knows it’s not enough for just some of us to prosper. For alongside our famous individualism, there’s another ingredient in the American saga.»

 
 

 
Teresa Heinz Kerry dispensa apresentações.
 
«In America, the true patriots are those who dare speak truth to power. The truth we must speak now is that America has responsibilities that it is time for us to accept again.»
 
 


Ted Kennedy é outro que dispensa apresentação. É o segundo senador mais antigo do Senado, onde está desde 1962. É irmão do histórico J. F. Kennedy. 

 
«In the depths of the Depression, Franklin Roosevelt inspired the nation when he said, "The only thing we have to fear is fear itself." Today, we say the only thing we have to fear is four more years of George Bush. »
 



Howard Dean é para mim aquele que mais mediatizou as primarias no Partido Democrata. Era o mais emotivo, o mais radical, o mais apaixonado e o que prometeu mais mas consagrou-se como a maior desilusão. Lança um novo conceito de campanha presidencial "Dean for america" lançando o espirito "community". É um multi-multimilionário, contudo, de todos os candidatos, era o que prometia uma viragem á esquerda no pensamento político americano.

 
«I may not be the nominee, but I can tell you this: For the next hundred days, I’ll be doing everything I can to make sure that John Kerry and John Edwards take our country back for the people who built it. Because tonight, we’re all here to represent the Democratic wing of the Democratic party.»

Hoje

Hoje...
Dia 28 de Julho de 1998, é o dia nacional da conservação da natureza... (saber mais) ... sensação estranha vê-la tão maltratada.
No Instituto da Conservação da Natureza e no  Ministério da Agricultura Pescas e Florestas... esqueceram-se deste dia... devem, certamente, por falta de meios e coordenação andar a apagar fogos...
 
 

Julho 27, 2004

O ruido dos bastidores...


Manuel Alegre
«não é em nome do passado no PS, mas em nome da identidade do PS. Está em causa a natureza do PS enquanto partido de esquerda»
 

José Socrates
«Sou um animal feroz!»


João Soares
«Apresento-me para revitalizar o PS, para impedir que o descaracterizem como Partido Socialista, para o devolver aos socialistas.»



"amanha anda á roda.."



Discurso na Convenção Democrata 2004 - Bill Clinton

"Thank you. I am honored to share the podium with my Senator, though I think I should be introducing her. I’m proud of her and so grateful to the people of New York that the best public servant in our family is still on the job and grateful to all of you, especially my friends from Arkansas, for the chance you gave us to serve our country in the White House.

I am also honored to share this night with President Carter, who has inspired the world with his work for peace, democracy, and human rights. And with Al Gore, my friend and partner for eight years, who played such a large role in building the prosperity and progress that brought America into the 21st century, who showed incredible grace and patriotism under pressure, and who is the living embodiment that every vote counts—and  must be counted in every state in America.

Tonight I speak as a citizen, returning to the role I have played for most of my life as a foot soldier in the fight for our future, as we nominate a true New England patriot for president. The state that gave us John Adams and John Kennedy has now given us John Kerry, a good man, a great senator, a visionary leader. We are constantly told America is deeply divided. But all Americans value freedom, faith, and family. We all honor the service and sacrifice of our men and women in uniform in Iraq, Afghanistan and around the world.

We all want good jobs, good schools, health care, safe streets, a clean environment. We all want our children to grow up in a secure America leading the world toward a peaceful future. Our differences are in how we can best achieve these things, in a time of unprecedented change. Therefore, we Democrats will bring the American people a positive campaign, arguing not who’s good and who’s bad, but what is the best way to build the safe, prosperous world our children deserve.

The 21st century is marked by serious security threats, serious economic challenges, and serious problems like global warming and the AIDS epidemic. But it is also full of enormous opportunities—to create millions of high paying jobs in clean energy, and biotechnology; to restore the manufacturing base and reap the benefits of the global economy through our diversity and our commitment to decent labor and environmental standards everywhere; and to create a world where we can celebrate our religious and racial differences, because our common humanity matters more.

To build that kind of world we must make the right choices; and we must have a president who will lead the way. Democrats and Republicans have very different and honestly held ideas on that choices we should make, rooted in fundamentally different views of how we should meet our common challenges at home and how we should play our role in the world. Democrats want to build an America of shared responsibilities and shared opportunities and more global cooperation, acting alone only when we must.

We think the role of government is to give people the tools and conditions to make the most of their lives. Republicans believe in an America run by the right people, their people, in a world in which we act unilaterally when we can, and cooperate when we have to.

They think the role of government is to concentrate wealth and power in the hands of those who embrace their political, economic, and social views, leaving ordinary citizens to fend for themselves on matters like health care and retirement security.

 Since most Americans are not that far to the right, they have to portray us Democrats as unacceptable, lacking in strength and values. In other words, they need a divided America. But Americans long to be united. After 9/11, we all wanted to be one nation, strong in the fight against terror. The president had a great opportunity to bring us together under his slogan of compassionate conservatism and to unite the world in common cause against terror.

Instead, he and his congressional allies made a very different choice: to use the moment of unity to push America too far to the right and to walk away from our allies, not only in attacking Iraq before the weapons inspectors finished their jobs, but in withdrawing American support for the Climate Change Treaty, the International Court for war criminals, the ABM treaty, and even the Comprehensive Nuclear Test Ban Treaty.

Now they are working to develop two new nuclear weapons which they say we might use first. At home, the President and the Republican Congress have made equally fateful choices indeed. For the first time ever when America was on a war footing, there were two huge tax cuts, nearly half of which went to the top one percent. I’m in that group now for the first time in my life.

When I was in office, the Republicans were pretty mean to me. When I left and made money, I became part of the most important group in the world to them. At first I thought I should send them a thank you note—until I realized they were sending you the bill.

They protected my tax cuts while:
•  Withholding promised funding for the Leave No Child Behind Act, leaving over 2 million children behind
•  Cutting 140,000 unemployed workers out of job training
•  100,000 working families out of child care assistance
•  300,000 poor children out of after school programs
•  Raising out of pocket healthcare costs to veterans
•  Weakening or reversing important environmental advances for clean air and the preservation of our forests.

Everyone had to sacrifice except the wealthiest Americans, who wanted to do their part but were asked only to expend the energy necessary to open the envelopes containing our tax cuts. If you agree with these choices, you should vote to return them to the White House and Congress. If not, take a look at John Kerry, John Edwards and the Democrats.

In this year’s budget, the White House wants to cut off federal funding for 88,000 uniformed police, including more than 700 on the New York City police force who put their lives on the line on 9/11. As gang violence is rising and we look for terrorists in our midst, Congress and the President are also about to allow the ten-year-old ban on assault weapons to expire. Our crime policy was to put more police on the streets and take assault weapons off the streets. It brought eight years of declining crime and violence. Their policy is the reverse, they’re taking police off the streets and putting assault weapons back on the streets. If you agree with their choices, vote to continue them. If not, join John Kerry, John Edwards and the Democrats in making America safer, smarter, and stronger.

On Homeland Security, Democrats tried to double the number of containers at ports and airports checked for Weapons of Mass Destruction.  The one billion dollar cost would have been paid for by reducing the tax cut of 200,000 millionaires by five thousand dollars each. Almost all 200,000 of us would have been glad to pay 5,000 dollars to make the nearly 300 million Americans safer—but the measure failed because the White House and the Republican leadership in the House decided my tax cut was more important- If you agree with that choice, re-elect them.  If not, give John Kerry and John Edwards a chance.

These policies have turned the projected 5.8 trillion dollar surplus we left—enough to pay for the baby boomers retirement—into a projected debt of nearly 5 trillion dollars, with a 400 plus billion dollar deficit this year and for years to come.  How do they pay for it? First by taking the monthly surplus in Social Security payments and endorsing the checks of working people over to me to cover my tax cut. But it’s not enough. They are borrowing the rest from foreign governments, mostly Japan and China. Sure, they’re competing with us for good jobs but how can we enforce our trade laws against our bankers? If you think it’s good policy to pay for my tax cut with the Social Security checks of working men and women, and borrowed money from China, vote for them.  If not, John Kerry’s your man.

We Americans must choose for President one of two strong men who both love our country, but who have very different worldviews: Democrats favor shared responsibility, shared opportunity, and more global cooperation. Republicans favor concentrated wealth and power, leaving people to fend for themselves and more unilateral action. I think we’re right for two reasons: First, America works better when all people have a chance to live their dreams.  Second, we live in an interdependent world in which we can’t kill, jail, or occupy all our potential adversaries, so we have to both fight terror and build a world with more partners and fewer terrorists.  We tried it their way for twelve years, our way for eight, and then their way for four more. By the only test that matters, whether people were better off when we finished than when we started, our way works better—it produced over 22 million good jobs, rising incomes, and 100 times as many people moving out of poverty into the middle class.  It produced more health care, the largest increase in college aid in 50 years, record home ownership, a cleaner environment, three surpluses in a row, a modernized defense force, strong efforts against terror, and an America respected as a world leader for peace, security and prosperity.

More importantly, we have great new champions in John Kerry and John Edwards.  Two good men with wonderful wives—Teresa a generous and wise woman who understands the world we are trying to shape. And Elizabeth, a lawyer and mother who understands the lives we are all trying to lift. Here is what I know about John Kerry. During the Vietnam War, many young men—including the current president, the vice president and me—could have gone to Vietnam but didn’t. John Kerry came from a privileged background and could have avoided it too.  Instead he said, send me.

When they sent those swift-boats up the river in Vietnam, and told them their job was to draw hostile fire—to show the American flag and bait the enemy to come out and fight—John Kerry said, send me.  When it was time to heal the wounds of war and normalize relations with Vietnam—and to demand an accounting of the POWs and MIAs we lost there—John Kerry said, send me.

When we needed someone to push the cause of inner-city kids struggling to avoid a life of crime, or to bring the benefits of high technology to ordinary Americans, or to clean the environment in a way that creates jobs, or to give small businesses a better chance to make it, John Kerry said send me. Tonight my friends, I ask you to join me for the next 100 days in telling John Kerry’s story and promoting his plans.  Let every person in this hall and all across America say to him what he has always said to America: Send Me. The bravery that the men who fought by his side saw in battle I’ve seen in the political arena. When I was President, John Kerry showed courage and conviction on crime, on welfare reform, on balancing the budget at a time when those priorities were not exactly a way to win a popularity contest in our party.

He took tough positions on tough problems. John Kerry knows who he is and where he’s going. He has the experience, the character, the ideas and the values to be a great President.  In a time of change he has two other important qualities:  his insatiable curiosity to understand the forces shaping our lives, and a willingness to hear the views even of those who disagree with him. Therefore his choices will be full of both conviction and common sense.

He proved that when he picked a tremendous partner in John Edwards. Everybody talks about John Edwards’ energy, intellect, and charisma. The important thing is how he has used his talents to improve the lives of people who—like John himself—had to work hard for all they’ve got. He has always championed the cause of people too often left out or left behind. And that’s what he’ll do as our Vice President.

Their opponents will tell you to be afraid of John Kerry and John Edwards, because they won’t stand up to the terrorists—don’t you believe it.  Strength and wisdom are not conflicting values—they go hand in hand. John Kerry has both. His first priority will be keeping America safe.  Remember the scripture: Be Not Afraid.

John Kerry and John Edwards, have good ideas:
•  To make this economy work again for middle-class Americans;
•  To restore fiscal responsibility;
•  To save Social Security; to make healthcare more affordable and college more available;
•  To free us from dependence on foreign oil and create new jobs in clean energy;
•  To rally the world to win the war on terror and to make more friends and fewer terrorists.

At every turning point in our history we the people have chosen unity over division, heeding our founders’ call to America’s eternal mission: to form a more perfect union, to widen the circle of opportunity, deepen the reach of freedom, and strengthen the bonds of community.It happened because we made the right choices.  In the early days of the republic, America was at a crossroads much like it is today, deeply divided over whether or not to build a real nation with a national economy, and a national legal system. We chose a more perfect union.

In the Civil War, America was at a crossroads, divided over whether to save the union and end slavery—we chose a more perfect union.  In the 1960s, America was at a crossroads, divided again over civil rights and women’s rights.  Again, we chose a more perfect union. As I said in 1992, we’re all in this together; we have an obligation both to work hard and to help our fellow citizens, both to fight terror and to build a world with more cooperation and less terror. Now again, it is time to choose.

Since we’re all in the same boat, let us chose as the captain of our ship a brave good man who knows how to steer a vessel though troubled waters to the calm seas and clear skies of our more perfect union.  We know our mission. Let us join as one and say in a loud, clear voice: Send John Kerry."

As três épocas...

Há uma ano atrás, dizia eu, numa tertúlia no meu partido (o PS), e naquela que era porventura a Secção mais activa do País (Secção de Benfica e São Domingos de Benfica), que existem em Portugal 3 épocas: a época dos incêndios, devastadora, emotiva e mediática; a época do rescaldo, apuradora de responsabilidades, relatórios e pragmática em termos de decisões a tomar; e por fim a época do esquecimento, em que tudo se esquece, tudo fica na gaveta e nada se materializa.

Este ano voltámos à época dos incêndios e eu pergunto: o que foi feito? De que forma se preveniram os actuais acontecimentos? Onde estão o efeitos práticos das páginas de relatórios que se realizaram o ano passado? Que é feito do
Livro Branco dos incêndios florestais ocorridos em 2003?

Quanto a este último saliento o capítulo intitulado: “MUDANÇAS E MEDIDAS PRÁTICAS A INTRODUZIR DE IMEDIATO” (página 93). Vale a pena ler... mas com cuidado... entramos no campo prático, mas abstracto, da ficção!

Num País que se afirma cada vez mais no sector dos serviços, no qual o turismo é a chave do sucesso futuro e que retira da floresta grande parte das suas riquezas, as classes dirigentes e os responsáveis continuam a assistir de braços cruzados a tudo isto?

Como é possível que nada se faça?

Porque é que não há um corpo nacional de bombeiros profissional? Em vez de uma classe militar caduca, desorganizada, despesista e de justificação duvidosa?

Para quê submarinos? Em vez de uma frota moderna e numerosa de meios terrestres e aéreos de combate aos incêndios?

Porque é que não há formação adequada? Em vez de continuamos a viver da boa vontade das populações e do espírito de sacrifício dos bombeiros voluntários.

Porque é que não existe legislação adequada que permita um controlo adequado da limpeza das matas?

Porque é que essa mesma legislação não contempla o trabalho cívico, “libertando” milhares de detidos dos estabelecimentos prisionais portugueses para a limpeza das matas e, já agora, das praias?

Do que é que estamos à espera? Que nada mais haja para arder?



Como aquece Portugal?



e arde..